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segunda-feira, fevereiro 01, 2010

intensité, véhémence


Intensidade, profundidade,vontade, qualidade, substancialidade, vaidade. Eu sou antes, eu sou hoje, eu sou agora, eu sou quase. E um senso de não poder parar me puxa de volta, sempre. O começo de tudo é o que me deixa feliz, embora goste der sentir a beleza estonteante do que foi concluído. Daquilo que consegui levar até o fim, é pelos intantes iniciais que me apaixono.

Quando borbulham ideias na cabeça, vontades novas, começa aquela sensação perfeita de querer mais, e de poder chegar ao fim denovo. Cada começo me renova, me alcança ar. Os finais me entristecem, sim! Apenas pelo anúncio de que talvez nada tenha a fazer depois.

Sempre buscando um novo ritmo pra vida, o inusitado que talvez nunca quis, mas agora quero. Desafios que lanço ao meu colo, testando minha própria voracidade de fazer. Encarno-me no entrechoque voluptuoso do desejo de continuar. Na coisa que me deixa a vontade, desejosa, me grudo nestes novos começos, numa dança apaixonada entre mim e eu, até que chegue ao fim, até que cesse. E comece outra vez. Para mim o que eu posso ser. Para os outros, não sei.

sexta-feira, janeiro 29, 2010

FEL icidade


Que mundo é este em que estamos vivendo. Multidões de pessoas sendo soterradas pela ideia de ser feliz a qualquer preço. Catando a felicidade aqui e ali, nele ou nela, e em receitas prontas de auto ajuda, que emprestam máscaras ilusórias, para que se usem provisoriamente. Sensações de felicidade em gotas, não permanentes, perenes.

Sentimentos como melancolia, tristeza, saudade, quietude, medo saudável, interiorização, sendo considerados como ervas daninhas a serem banidas pela imediatice do pensamento positivo.

Não estou contra a possível eficácia do pensamento positivo, do foco, pregado por multidões, traduzidos em livros, reduzidos a palavras certeiras. Mas não quero concordar (poder eu posso), com a inexistência de sentimentos essenciais para o crescimento do ser humano, e para sua plenitude. Andar em linha reta, só buscando a felicidade, sem se permitir recuos, curvas, sinuosidades, e porque não, desilusões, tem criado pessoas programadas para somente, acertar, conquistar, o que for a qualquer preço.

Vida, morte, alegrias, perdas, danos, conquistas, fracassos, buscas, desencontros, imaginação, realidade, amor, desafeto, sonhos, devaneios, vontade, desinteresse, enfim nada pode ser completo, não sendo inteiro. Não é possível ganhar sempre. E ser feliz não significa estar sempre feliz. A felicidade pode ser comparada a um barco à deriva, ao sabor do vento, que de tempos em tempos, atraca em nossos portos. Buscá-la exageradamente é apenas uma precipitação desnecessária do que tem dia pra chegar.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Unilateralidade


"Penso, com mágoa, que o relacionamento da gente sempre foi um tanto unilateral, sei lá, não quero ser injusto nem nada - apenas me ferem muito esses teus silêncios."

Tem dias que a gente acorda com a sensação de coisa inacabada. São especialmente complicados estes dias e estes sentimentos, por terem uma razão no que já foi. Ando fixada na ideia de não reviver, e sim, viver. Tudo novo, nada velho e desajustado. Acontece que esta vontade nem sempre é bem quista por dentro, tem horas que mergulhar no passado e naquilo que não me serve mais, acaba me causando um certo consolo.

Hoje acordei pensando num destes trechos de passado latente. Reavivando coisas amassadas, rasgadas, descartadas, passando revista em atitudes já tomadas, em situações já vividas, em caminhos que já foram trilhados.

Se passou já não importa. Se acabou já devia ter esquecido. Se foi um caminho tortuoso, já o percorri. Sei sim, sei de todo este amontoado de explicações que dou para mim mesma, embora saiba também que não posso evitar estas idas e vindas.

Se o acabado resolveu ocupar o meu dia, pronto! Que ocupe! Que aproveite este intervalo de tempo para usufruir dos espaços privilegiados da minha mente inquieta, pois não tem mesmo mais lugar por aqui. E sabe que é provisório e previsível. Desnecessário e dispensável.

sábado, novembro 28, 2009

Luminiere


"O néctar, ou amṛita, do sânscrito 'imortal', para o Hinduismo, Taoismo, Budismo e várias escolas de mistérios acha-se associado à ambrosia sagrada, símbolo da sabedoria, iluminação espiritual e também da cura e renovação da vida. Na iconografia, o néctar é o líquido precioso da compaixão que verte do vaso dos bodhisattvas, ou seres já iluminados, como Kuan Yin, que assumiram o compromisso de ajudar os que ainda sofrem na Terra".

Também vertemos néctar. Nós humanos que por vezes tranbordamos féu. A cor doce dos nossos dias, as paixões, os sonhos, as vontades saciadas, os ímpetos, os delírios comedidos, meu néctar, minha pequena, mas suficiente, dose de néctar. Doce, renovada, transformada numa manhã de primavera.

terça-feira, outubro 13, 2009

Carnal


"Não quero sugar todo seu leite, nem quero você enfeite do meu ser. Apenas te peço que respeite o meu louco querer. Não importa com quem você se deite, que você se deleite seja com quem for. Apenas te peço que aceite o meu estranho amor.
Teu corpo combina com meu jeito. Nós dois fomos feitos muito pra nos dois. Não valem dramáticos efeitos, mas o que está depois. Não vamos fuçar nossos defeitos, cravar sobre o peito as unhas do rancor, lutemos mas só pelo direito ao nosso estranho amor".

Ando querendo demais, esta volúpia me invade, os beijos sozinhos não me satisfazem. Desejo pele na pele, poros nos poros, saliva, línguas, dedos, marcas, vontades ocultas. Ao meu bel-prazer. Não abro mão de amar, mas preciso delirar. É uma necessidade de um corpo cálido, que repele frieza, desdém, palidez, falta de gosto, ausência de cheiros, inércia, atitudes púdicas.
Se for pra se entregar que seja assim, carregada de desejo, com o corpo trêmulo. Jogar-se por inteiro, esgotar tudo, deixar escoar as sensações sem se prender, sem pudorizar o despudor.

Subterfúgios do querer


Ao nascer começamos a morrer. Quando abro os olhos pela primeira vez, começo também a fechá-los pelo última. Desejo crer que sou pra sempre, mas pra sempre nada é. Na minha vida há duas contagens de tempo: uma progressiva, outra regressiva. Ultimamente tenho preferido andar pela linha regressiva, onde abrir os olhos em cada manhã já é uma vitória.
Tento me equilibrar nesta linha sutil de tempo, ao mesmo tempo em que me impeço de pular para o outro lado do "progresso". Na minha cabeça, a vida anda de costas pra morte, sabendo que é para ela que caminho. Esta sensaçao me alegra, não por saber que a morte está logo ali, e sim por entender que a vida está aqui e agora debaixo dos meus pés, pronta para ser caminhada, e que o tempo é curto, é raro. Isso me encharca de prazer.
Me faz querer agora e não amanhã, me faz amar agora e não amanhã. Me liberto do que quis ontem, é tempo que já foi. Me desprendo do depois por ter certeza que pode não acontecer.
Sorrio no hoje, choro no hoje, beijo no hoje, esqueço no hoje, conquisto no hoje, repugno no hoje, sonho no hoje, realizo também. Não durmo desejando, apenas durmo. Fecho os olhos revestidos de um querer eloquente em poder abri-los novamente, mas sempre com a sensação de ter feito tudo o que quis. Deitar assim me alivia, me faz descansar, mesmo com a possibilidade de não acordar. Portanto, ouvrez vos yeux.

segunda-feira, outubro 05, 2009

Transite


"Uma caneta e um sentimento são motivos suficientes para eu escrever". Do que você precisa para se sentir completo? O que realmente te faz expor teus sentimentos? Ter e não querer, querer e não ter, ser e não sentir, sentir e não ser. Qualquer ser humano com um mínimo de consciência já esteve localizado na ponte que divide o que somos do que queremos ser, e o que temos do que queremos ter.
Não vejo subjetivismo exagerado nisso. Todos precisamos transitar estes dois lados, para se encontrar de fato no centro, quem não percorre a linha entre o que é e o que quer ser, não evolui, acaba se entregando ao contentamento descontente de carregar um fardo muito leve, o da estagnação. Leve porque não requer fazer força de espécie alguma para isso, o único requesito para levar este fardo é estar-se cheio de uma quietude sufocante. Vivendo de uma relação consigo mesmo baseada no silêncio absoluto. Vestindo máscaras que não escondem nada, e que revelam menos ainda.
Quero estar sempre na ponte, testando meus limites, instigando minhas virtudes. Tenho um corpo que rende mais que o desejado, uma mente ativa e uma alma livre. E é só disso que preciso.